segunda-feira , 14 agosto 2017

Crônica e Domingo – Trunfo e Triunfo

cronicaTrunfo e Triunfo (Edição Nº 85, de 29-01-2017)
© Adolfo Breder

Tensão à roda da mesa: quem está com o trunfo? A partida já começou. Uns estão sorridentes e confiantes na vitória. Outros com o cenho franzido abanam-se com seus naipes de pouco valor, de olho nos restos da mesa. Jogam um jogo defensivo, de cartas marcadas para perder. Na mesa tudo bem. A sorte embaralha as chances de uma próxima partida, em instantes.

Nenhuma consequência importante para quem perde. Um brilho fugaz nos olhos e gargalhadas enquanto se apronta o novo embate. Depois de muitos anos, nestas férias, joguei minhas partidinhas. Até na praça de alimentação do shopping!

Mas, e quando estas palavras irmanadas estão em jogo nas mesas que definem as mutantes regras das próximas rodadas das nossas vidas?

Como diziam os Beatles: “Aqui, Ali e Em Qualquer Lugar”. De repente, um tsunami global de personagens saídos da penumbra, que prometem triunfo dentro de uma nova ordem. Eles se denominam trunfos para o sucesso. Não explicam de quem! Trazem consigo para o picadeiro modernas hidras coadjuvantes. Estes monstros repintados são os inimigos número um em planejada sintonia com o senso comum. Aplausos, aplausos, aplausos.

E vão reinventando a cena: D. Trump do Norte edifica muralhas de dominó para isolar nachos e tortilhas apimentadas. O retrato de Dória Grey é uma marginal faixa de mórbido cinza sobre a multicor expressão da arte popular. É de temer a enorme quantidade e variedade de canetas corruptas assassinando nossas conquistas de longo tempo. E por aí vão….

A importância da História fica muito evidente em momentos assim. O bigodinho e trejeitos do meu xará alemão não podem ser esquecidos. Entrou em cena como a solução com seus ares xenófobos e arrogância. Foi idolatrado, mas era de vidro e se quebrou.

E nem gostaria de falar da nossa pobre escola. Deveria ser de uma educação crítica. Uma lente para leituras coerentes do nosso vasto vasto mundo. Mas, o que vemos na artilharia vaidosa, são gestos de fatiamento das disciplinas básicas necessárias para a formação consciente do cidadão. O que está em pauta é o retumbante convite para que meninos e meninas escolham logo como vão contribuir com as necessidades do Mercado de Trabalho.

E esse modelo de exibicionismo fácil, que constrói castelos de cartas, vai ganhando adeptos em todos os pódios em disputa. Isso me assusta! E a você, leitor?

Foto: do autor: Em Vitória (ES) / set-2016.