terça-feira , 21 agosto 2018

Casos de racismo são relatados durante Jogos Jurídicos realizados em Petrópolis

Jogos Juridicos 2018 PetrpolisAlém da baderna generalizada que ocorreu durante duas noites seguidas em Corrêas, a Faculdade PUC-Rio perdeu o título dos Jogos e está fora da competição após casos de racismo.

A Liga Jurídica Estadual, que organiza os Jogos Jurídicos Estaduais, decidiu retirar o título de campeão geral da competição e suspender a participação da Pontífice Universidade Católica (PUC-Rio) da próxima edição. A decisão foi tomada após os episódios racistas protagonizados por alunos da instituição privada neste fim de semana no evento.

Em nota, o grupo responsável pelo Jogos sem Racismo disse que uma postura da Liga já vinha sendo cobrada após o episódio envolvendo um atleta negro da Universidade Católica de Petrópolis (UCP). Na ocasião, uma casca de banana foi atirada contra ele pela delegação da PUC-Rio. A punição foi apenas uma multa de R$ 500 e a suspensão da torcida em um jogo.

Entretanto, outros dois casos de racismo praticados por torcedores/alunos da PUC-Rio ocorreram no domingo, fazendo que o Jogos sem Racismo, além de dos coletivos Negros Patrice Lumumba (Uerj), Caó (UFF) e Cláudia Silva Ferreira (UFRJ – FND), cobrassem uma medida mais efetiva.

Além da retirada do título, a suspensão de um ano e a não participação nos próximos Jogos Jurídicos, os representantes do movimento negro das instituições pedem a identificação dos autores dos crimes. Dois deles teriam sido citados no registro de ocorrência feito na 105ª DP (Petrópolis).

“Hoje, depois do que podem ter sido os quatro mais dolorosos dias das nossas vidas enquanto negros estudantes de direito, pudemos começar a fazer justiça com nossos atletas, torcedores e torcedoras agredidos.Esperamos, ao menos, que essa dor descomunal se revele uma oportunidade para que TODAS as Faculdades de Direito repensem suas práticas e tornem os Jogos um ambiente mais inclusivo”, disse o Jogos sem Racismo, em nota.

Segundo a aluna de Direito da Uerj, Renata Azevedo, não é a primeira vez nos Jogos que casos de racismo praticados por alunos da PUC-Rio ocorrerem. “É o quarto ano que vou e sempre tem racismo. Não é surpreendente, vindo de onde vem”, disse a estudante de 21 anos.

Três casos este fim de semana

Os casos de racismo praticados pela torcida da PUC-Rio ocorridos durante os Jogos Jurídicos em Petrópolis, na Região Serrana, tomaram conta das redes sociais. Segundo os relatos, alunos da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), Universidade Federal Fluminense (UFF) e da Universidade Católica de Petrópolis (UCP) foram os alvos. Os episódios racistas ocorreram no sábado e domingo.

“Muito triste e revoltante o que está acontecendo nos Jogos Jurídicos. Alunos (no plural) da PUC-Rio, para provocar o Direito-UERJ, saíram do ginásio imitando macacos. Ontem, outro estudante de lá jogou uma casca de banana contra uma atleta negro da UCP. Casos de polícia”, escreveu um universitário da Uerj.

Em outro episódio, o alvo foi uma aluna da UFF. Segundo o relato, a atleta de handebol feminino foi chamada de macaca por outra universitária da PUC-Rio. As duas universidades disputavam a decisão na modalidade.

“Diante do racismo, evidentemente os alunos da UERJ ficaram revoltados. Nisso, uma menina da PUC vira para a gente e diz: ‘Olha o meu rosto, você acha mesmo que eu vou ser presa?’. Muito entristecedor estar tão próximo de um caso explícito de racismo”, disse o estudante de Direito da Uerj, que sofreu ameaças nas redes sociais após relatar os casos.

“Um absurdo. Mesmo que o meio universitário tenha se tornado mais inclusivo ao longo dos anos, ainda é um ambiente muito hostil pra estudantes negros, que estão expostos a esse tipo de humilhação a qualquer momento. Porém o mais grave pra mim é saber que daqui há uns anos essas pessoas vão ser os profissionais que vão estar atuando na sociedade. Mais grave ainda se a gente for pensar que vão ser essas pessoas que vão se encarregar da Justiça brasileira”, disse Gabriel Trancozo, de 19 anos, que faz Serviço Social na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Alunos da Uerj registraram o caso na 105ª DP (Petrópolis). Uma manifestação está programada para esta segunda-feira por alunos da instituição estadual. Na Gávea, estudantes de um coletivo negro da instituição onde estudam os acusados de racismo vão realizar um protesto na terça-feira.

Procurada, a PUC-Rio ainda não se pronunciou sobre os casos. A UCP, que teve um atleta negro vítima de racismo, disse em nota que “não participa da organização do evento de nenhuma maneira” e que “nenhum aluno procurou a universidade para fazer qualquer reclamação sobre este assunto.” As outras instituições que tiveram alunos vítimas de racismo também não se posicionaram até a publicação desta reportagem.

Fonte: O dia Online

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